sexta-feira, 31 de agosto de 2012

ENTRE O LEGAL E O ILEGAL: O DISCURSO DEMAGÓGICO DA MORALIDADE


Wilton da Conceição Alves
Simone Alves de Faria


                Não são poucas as pessoas a si arvorarem em juízos e julgamentos relativos a condutas, decisões e ações de seus pares em geral. O definido como certo e, portanto, legal carrega no seu bojo a marca e a força de representações, as quais orientam e reorientam o pragmatismo no mundo contemporâneo. Assim, condena-se, absolve-se a partir de critérios que não se firmam como claros. A não clareza e as incertezas nos rondam e nos deixam perplexos face à complexa lógica dos discursos que não engrandecem a coisa pública.


O que hoje é aceito como lícito ou ilícito efetiva-se como não claro, não compreensível, não aceitável. Não são poucas as pessoas a se perguntarem a respeito das ilicitudes em geral. O exemplo mais cabal relativo a tal questão perpassa a lógica da legalidade de algumas modalidades de jogos; bem como da ilegalidade de outras modalidades. Tal problemática circunscreve no âmbito da moralidade do discurso estatal, um discurso vazio, solto e sem firmeza efetiva. Portanto, para alguns, a modalidade de jogos, a exemplo dos “cassa níqueis”, acabam com as famílias, pois comprometem o orçamento doméstico e o seu bem estar. Tal inquietação poderia ser referida acerca da loteria, em suas várias modalidades. O mesmo poderia ser dito no que diz respeito às apostas para ajudar os clubes de futebol em nosso país, os quais não engrandecem a arte nem a cultura. Por que não se referir aos diversos grupos religiosos que, por gozarem da legalidade “levam” até os últimos centavos das pobres viúvas e não são postos em questão.


              Vivemos em meio a uma moralidade falida. Os poderes instituídos se tornam a clara expressão da ausência de clareza e firmeza política. Quando se trata de punir um adversário a lei é boa; quando a lei não permite o “terror” dar-se um jeito. Fato concreto é que a moralidade reinante está falida e sem sentido à realidade concreta. Em Nietzsche a moral é uma criação dos fracos para dominar os fortes. No que diz respeito à realidade brasileira os “fracos” de longa data anseiam por dominar os “fortes”. No âmbito da política, da economia, da arte e da cultura o imperativo dos fracos tem se feito sentir a cada dia. Por isso, no campo da economia há um verdadeiro duelo entre os seres humanos em geral. A luta não é de uma classe contra a outra, mas de seres humanos contra seres humanos. Assim, o discurso da moralidade efetiva-se como demagógico e a problemática entre o legal e o ilegal se efetiva na fronteira de um universo não definido. 

               Em suma, precisamos parar, refletir, compreender o sentido das coisas, dos seres, dos dogmas, das leis, do legalizado e do não legalizado para não ficarmos a mercê de nefastas incógnitas de políticos arcaicos que não compreendem o sentido da liberdade e da vida humana.